Championship Manager 2010 [Análise]

5 10 2009

Posso-vos começar por dizer que sou do tempo em que o Championship Manager ainda se comercializava em disquetes. Sou do tempo em que este título me fez perder horas e mais horas de diversão, sozinho ou acompanhado por alguns dos meus amigos. Serões em que Eric Cantona era disputado por todos e Francesco Totti era já uma das minhas apostas, tendo 17 anos e a jogar na segunda equipa do AS Roma. São pormenores que ainda hoje não foram esquecidos. Depois destes anos todos, a série CM foi perdendo as pernas para o seu rival, isto porque a Sports Interactive tinha deixado o seu legado e apostado em outra série, que hoje em dia dá pelo nome de Football Manager. Se há diferenças entre os dois? Há sim senhor, mas o objectivo dos dois mantêm-se, ou seja, estes jogos são para aquelas pessoas com paixão sobre a gestão futebolística. Todos temos um Mourinho dentro de nós e treinadores de bancadas existem muitos e eu, sou um deles. Mas o que há de novo neste Championship Manager 2010? Vamos então por partes.

cm2010_blog

Em primeiro lugar quero já deixar o meu desagrado em relação à língua. Nesta versão completa, a língua de Camões é inexistente e procurando no site oficial, nem uma referência à língua Portuguesa. Isso é mau, mau sinal para todos nós Portugueses, quando o seu rival já apresenta esta solução. Temos sim a língua Polaca e Turca! Assim, lá teremos que ir obrigatoriamente para a língua oficial, a Inglesa.
Depois ao iniciarmos o jogo, temos a opção de escolhermos o mês em questão. Julho ou Setembro? Ao iniciarmos em Setembro, o jogo obriga a que o jogador efectue um download (200MB) respectivo às últimas movimentações no mercado no que toca a contratações, vendas ou dispensas. Algo desnecessário e incomodativo… Posso afirmar que depois do download, os respectivos planteis estão actualizados, exemplo disso, já podemos contar por exemplo com Felipe Menezes no Benfica.

A navegação em Championship Manager 2010, é muito intuitiva, fácil e agradável a qualquer jogador, principalmente para os novatos. O menu principal encontra-se no lado esquerdo em forma de árvore e os menus secundários ficam no top em forma horizontal. Através de um clique, temos opções como o plantel, tácticas ou treinos, algo que me fascinou. Pena é estar tudo em outra língua que não seja a nossa, mas quanto mais jogarem mais se torna hábito e tudo fica um pouco mais simplificado.
Entrando na secção do nosso plantel, toda a informação necessária encontra-se disponível, desde a naturalidade do jogador, passando pela idade, posição em campo, moral, forma, entre outros. Mas se quisermos mais opções, temos que clicar em cima do jogador e entrar na sua ficha, até aqui nada de novo. As notas encontram-se entre valores 0 e 100 e todas as estatísticas serão mostradas em relação a todas as provas dadas por esse mesmo jogador.
Para uma boa gestão, precisamos sempre de um calendário e este está presente com toda a informação de jogos necessária. Dos amigáveis, aos oficiais, temos que estar sempre atentos a ponto de prepararmos o nosso próximo desafio. E como é que o vamos preparar?

Após a selecção feita por nós sobre a constituição da equipa, passamos às tácticas de jogo. Aqui entra um dos maiores trunfos do CM em relação à concorrência. Tudo muito mais pormenorizados e com opções de encher o olho. Para os mais exigentes, este capítulo irá certamente deixar qualquer um em êxtase. Em primeiro lugar, toda a gestão feita dentro do quadro (terrenos de jogo) está sublime e com muitas mais opções. Para além de deslocarmos o jogador para onde nos apetecer, temos a oportunidade de erguer a seta de deslocação para qualquer lado, dando uma maior liberdade de movimentos aos nossos jogadores como ao técnico. Podemos atribuir ordens a cada jogador como para a equipa em geral, como o tipo de passe, o tipo de pressão, a mentalidade em campo entre outros factores. Mas a grande novidade está no estudo aprofundado nas bolas paradas (Set-Pieces). Desde os pontapés de cantos defensivos e ofensivos até à marcação de livres nas laterais e centrais, tudo é desenvolvido ao pormenor e podemos facilmente desenhar jogadas estudadas “à la Camacho”. Damos a indicação ao jogador que irá marcar o livre, por exemplo, com um cruzamento para o aparecimento do Luisão e tudo é feito através das posições e setas. E para finalizar, temos ao nosso serviço um botão “Pratice Set-Pieces” que podemos ver em tempo real a própria jogada que acabamos de desenhar. Uma opção excelente e que me deixou deveras satisfeito.

No que diz respeito aos treinos, componente essencial para o desenvolvimento dos atletas e para a equipa em geral, este título apresenta-nos um sistema forte, completo e com resultados práticos. Temos treinos individuais, como por exemplo, os treinos de finalização. Aqui podemos visualizar em tempo real, dentro das quatro linhas, os jogadores em fila indiana, prontos para disparar à baliza. Temos também treinos para penáltis, cruzamentos ou sprints. Quanto ao treino colectivo, podemos definir a equipa principal, a equipa secundária e fazer um “conjunto”, uma partida amigável entre as duas formações. Para além disso, temos também os típicos treinos “Holandeses”, que para quem não sabe, são treinos em que a equipa principal não tem baliza, partindo do meio campo com o objectivo de finalizar. No outro lado, temos a equipa secundária a pronto de nos anular. Todos os tipos de treinos podem ser visualizados dentro do terreno de jogo em tempo real. Mais um factor positivo para esta versão de Championship Manager.

As transferências e procura de jogadores e staff é algo que já estamos habituados. Podemos procurar jogadores por vários campos de pesquisa como os seus atributos, por nome, valor, nacionalidade entre muitos outros campos. O sistema negocial é o básico, destacando o ordenado base, prémio por assinatura e prémios atribuídos, como presença ou golos marcados.

O motor 3D enquanto estamos a observar o nosso jogo é um luxo. Sim, este motor é um regalo para os olhos de qualquer treinador. Não observei qualquer tipo de quebra, os jogadores desenvolvem jogadas com pés e cabeça e os seus comportamentos transpiram realidade. E temos vários tipos de cameras à escolha, várias velocidades de jogo e o poder de escolha entre os melhores momentos, os golos ou observar o jogo na íntegra. De reparar que a publicidade está presente como o público (pouco definido) e os bancos de suplentes.

Em modo de conclusão, Championship Manager 2010 está no bom caminho. A Eidos terá que trabalhar muito para conquistar velhos fãs, pois esses rumaram já para outros destinos. Sou fã, fiquei ainda mais fã, mas nem tudo me agradou. A falta da língua de Camões é um peso pesado, mas de resto, tudo está disponível para que qualquer treinador faça um bom trabalho. Uma base de dados completa, 32 (trinta e duas) ligas a nível mundial ao nosso dispor, um motor 3D super interessante e futebol que chegue, pois isso é o mais importante, verdade ou não?


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