Fifa 10 [Análise]

8 10 2009

Sem fazer muitas contas de cabeça, lembro-me que o primeiro Fifa que joguei foi Fifa 95 para a velhinha Mega Drive da Sega. Na altura, a EA baseava-se num futebol robótico e muito arcade. Pontapé para a frente era o ingrediente certo para o sucesso. Até os avançados podiam colocar-se à frente do guarda-redes a ponto de evitar que ele próprio lançasse o jogo através do pontapé longo. Foram grandes momentos passados ao comando de um jogo de futebol, jogo esse, que hoje em dia mudou e de que maneira. Depois de muitos título lançados posteriormente, foi em UEFA Euro 2008 que a Electronic Arts lançou um novo motor de jogo e foi a partir desse momento que o mesmo motor sofre vários ajustes e melhoramentos. Resultado óbvio e prático, apareceu em Fifa 09, um título que respirou um futebol moderno, mais realista e com funções inovadoras. Foi ano passado que Fifa dividiu opiniões e depois de muitos anos lá conseguiu agradar a “gregos e troinados”. Digo isto, pois o seu rival sempre foi forte, gerando uma maior comunidade de fãs agarrados ao jogo da Konami. Fifa 09 destronou! Fifa 10 parece-me que seguiu o mesmo caminho, o caminho vitorioso e para os lados da Konami a situação não está nada fácil. Fifa e o seu novo motor veio para ficar e quem fica a ganhar somos todos nós, fundamentalmente adeptos do bom futebol, mais realista, mais energético e fiel à imagem que passa através do futebol de hoje em dia. Para além disso, nos dias que correm e para os jogadores de videojogos a componente online é fundamental e nisso a EA também soube contornar todas as adversidades que o online pode implicar. Temos um online fluído e com opções mais que sobra para que o jogador tenham uma boa longevidade, mas isso falarei um pouco mais à frente na minha análise.

Começamos pela jogabilidade, não fosse o forte deste motor. Nesta nova versão da EA, o realismo é palavra-chave e todos os movimentos dos jogadores serão levados ao limite. A produtora incluiu uma nova funcionalidade chamada “controlo 360º” e com isso, os comportamentos dos nossos atletas são exemplares no que toca ao domínio de bola e na sua distribuição. Claro que nem todos têm o mesmo comportamento, em que por exemplo, Luisão não tem a mesma capacidade de domínio de bola ou de distribuição do que Aimar. E nem Aimar tem a velocidade e técnica de Cristiano Ronaldo. Mas no fundo este novo sistema ajuda na melhoria e no realismo de cada jogador quando a sua imagem está em campo. Este novo controlo permite também a execução de fintas na perfeição. É um regalo para os olhos de qualquer um, ver Messi ou Cristiano Ronaldo a desfilar em qualquer relvado. O seu poder de execução é tão grande que os fãs irão ficar deliciados. Não só as fintas e os domínios de bolas estão melhorados como a distribuição e finalização. Tanto os passes curtos como os longos seguem uma linha na perfeição, indicada para o jogador que nós escolhemos. Só falha mesmo quem não sabe, esta é a minha frase de eleição para os médios em Fifa 10. Já os passes em profundidade são um quebra-cabeças para os defesas, isto se forem bem executados, mas não pensem que os defesas são carne para canhão, longe disso. A IA (inteligência Artificial) foi também melhorada e os comportamentos das linhas defensivas correspondem à realidade. Sobem quanto têm que subir e cobrem muito bem os espaços dificultando a vida aos avançados. Mas a IA nem sempre foi bem aplicada. Apesar dos guarda-redes estarem melhores, em alguns momentos carecem de objectividade. Dentro de postes, parecem verdadeiros “gatos”, defesas praticamente impossíveis e nas saídas de bola cobrem bem os ângulos, mas o problema reside nos cruzamentos e nas saídas dos postes. Cheguei em várias partidas a executar cruzamentos directos para golo. Exemplo disso, foi um golo efectuado por Fábio Coentrão, em que me desloquei para a linha com o objectivo de cruzar, efectuei o cruzamento, mas com o efeito devido a bola entrou directamente na baliza. Depois, quando o cruzamento é direccionado ao primeiro post, o guarda-redes tem sempre saídas tardias, acabando no golo efectuado pelo próprio avançado. Este é um senão em relação à IA dos guarda-redes, de resto nada apontar.
Quanto à finalização, o realismo está também bem empregue. É claro que se estivermos a controlar um Benzema, a facilidade é bem maior do que um Óscar Cardozo. Podemos finalizar de várias maneiras e feitios, mas sempre controlado por nós jogadores. Escolhermos o lado da baliza ao qual queremos rematar ou simplesmente executar uma “chapelada” ao guarda-redes, faz-nos soltar aquele sorriso maroto de satisfação, e nisso, Fifa 10 é exímio.

Não só nestes pormenores Fifa 10 vence, temos também a luta corporal entre os nossos jogadores. O poder físico é um factor importante para o sistema defensivo, numa luta a meio campo ou no ganhar de uma bola ofensiva em relação ao nosso adversário. Se a velocidade é importante, uma carga de ombro pode por fim a essa característica. A disputa de bola nunca foi tão real e as cargas de ombro estão melhores do que nunca. E se falamos em luta, o que dizer do homem do apito? Bem, em primeiro lugar, a polémica está guardada para segundo plano, aqui a realidade não entra. Quando um árbitro é pouco falado, é sinal que é bom, ao contrário da realidade bem presente na nossa liga todos os “santos” anos. As interrupções do homem negro são bem efectuadas, dando destaque e sempre à lei da vantagem, uma “vantagem” para nós jogadores, adeptos do jogo corrido e sem interrupções. As suas animações foram melhoradas e por vezes vemos o árbitro a desviar-se numa bola durante uma partida e o seu acompanhamento no decorrer da partida está muito bem patenteada. De salientar a possibilidade de executarmos livres indirectos sem perder tempo, algo fundamental para um futebol muito mais ágil e rápido.

Quanto aos modos de jogo, este ano temos uma novidade intitulada como “Virtual Pro”. Aqui vamos ter a possibilidade de criarmos o nosso jogador de raiz, personalizando o seu aspecto visual, escolhendo o clube para jogar e com a possibilidade de colocarmos a nossa cara no jogador (GameFace). Para isso temos que nos deslocar ao website “easportsfootball.co.uk” e criar o nosso game face, depois é só importar no jogo. Com o jogador criado no “Virtual Pro”, vamos ter a possibilidade de o usar no modo carreira “Manager Mode” ou simplesmente levá-lo até ao sistema de online e mostrar a todo mundo o jogador que tu és, encarnando a teu próprio jogador. Outros modos também estão disponíveis para o receber, como o simples kick-off, torneios ou até brincar na própria arena de Fifa 10. Este modo veio dar outra vida à série Fifa e que já existia no seu rival, mas este apresentando a técnica através por exemplo da camera Xbox Live Vision. Não só PES utiliza este sistema como já existiu em jogos como Rainbow Six Vegas. Fifa deveria implementar o sistema da camera e não obrigar o jogador a dirigir-se a um website, mas a ideia é gira e o jogador agradece.

Já o modo “Be a pro” é aliciante. Após escolhermos a nossa equipa a participar e incluindo o nosso jogador criado de raiz no “Virtual Pro”, vamos ter pela frente vários objectivos. Objectivos do clube e pessoais. Por exemplo, ao escolher o Benfica, temos como objectivo colectivo finalizarmos a época nas três primeiras posições, mas já no que toca ao jogador, tem como objectivo marcar oito golos por época e ter uma classificação acima dos 6.0. Mas não só objectivos por época vivemos, mas sim também em cada jogo. Qualquer jogo que disputes, vais ter que cumprir os objectivos propostos, para assim poderes evoluir e chegar à nossa querida Selecção Nacional.
Claro que no inicio da nossa carreira, a gestão não será fácil. Temos que jogar na posição que o treinador nos coloque. Eu posso ser médio centro, mas houve jogos em que joguei a médio esquerdo e o objectivo será sempre o mesmo, cumprir. Mais tarde podemos ter o controlo do onze inicial mas para isso terás que ser nomeado capitão de equipa. O modo “Be a pro” promete, mas só tu podes decidir se queres ter sucesso ou não. Aqui precisa-se de disciplina!

Para os amantes da gestão futebolística, Fifa 10 apresenta-nos o modo “Manager Mode”, não tão avançado como um CM ou um FM (não é esse o objectivo), mas mesmo assim é uma grande mais-valia. Após escolhermos a liga e a equipa ao qual vamos gerir, podemos tomar controlo de (quase) tudo. Gerir receitas publicitárias, contratar e vender jogadores, renovar contratos, são funções que nos serão atribuídas. Temos acesso a um calendário para visualizarmos as nossas partidas, oficiais ou amigáveis e acesso a todas as finanças do clube a ponto de nos organizarmos e fazermos uma boa gestão financeira. Os vossos resultados irão ditar se és um verdadeiro gestor tanto a nível financeiro como desportivo. Positivo é a nossa querida Liga Portuguesa com todos os clubes licenciados e seus jogadores. Pena, são as ausências dos estádios Portugueses na versão 360 e PS3, apenas estando disponíveis para PC e PS2.

Em relação ao “Live Season 2.0”, a EA efectuou algumas alterações e podem desesperar, pois a Liga Portuguesa não está incluída. Escolhem assim as ligas presentes, como a Espanhola, a Italiana ou a Inglesa, sendo estas as ligas mais fortes. Após a selecção da liga e da equipa, a realidade entra em acção. Todas as semanas a EA lança uma actualização de tudo o que se passa com a equipa que escolheste, mas esta, na versão real. Se houver lesionados, castigos ou mesmo os resultados oficiais ou outro tipo de influência, serão actualizados na equipa que escolheste neste modo. Assim tens a oportunidade de fazeres a tua própria gestão comparando com o que se passa na realidade. Cada Liga tem os seus custos na 360, através do Xbox Live ou na PS3, através da PS Network. Se estiveres interessado neste modo, aqui divulgo as Ligas disponíveis: Barclay´s Premier League (Inglaterra), Liga BBVA (Espanha), Ligue 1 (França), Bundesliga (Alemanha), Série A (Italia) e Mexican Primera Division (México).

Quando falei anteriormente no motor em relação à física deste título, tenho obrigatoriamente que falar no seu poderio gráfico. Sem sair da realidade já patente em Fifa 09, mostro aqui um pouco do meu desagrado, pois a evolução não foi notória. Concordo que a EA focou-se em outros objectivos, deixando de lado esta vertente. As animações estão soberbas, mas o layout dos cenários e dos próprios jogadores mereciam algo mais. Olho para Cristiano Ronaldo e identifico-o na perfeição, mas o que dizer de outros jogadores menos conhecidos? Não falo de jogadores de equipas teoricamente mais fracas, mas por exemplo equipas já referenciadas e que os jogadores parecem irmão gémeos. Sei que dá trabalho, tenho conhecimento que é um processo demorado, cansativo, mas nós jogadores não temos culpa, aliás o consumidor paga e espera sempre por um bom produto. Com o aspecto facial dos jogadores mais trabalhado, a EA só tinha a ganhar, o futebol só tinha a ganhar e fundamentalmente, o jogador sairia a ganhar pela experiencia muito mais realista. O público e suas animações comportam-se com a naturalidade já reconhecida através do seu antecessor.

O capítulo sonoro é algo realmente muito bom. Uma playlist variada e que inclui uma banda Portuguesa – Buraka Som Sistema feat. Pongolove – “Kalemba (Wegue – Wegue)”. Já nos comentários ao jogo, na Playstation 3 temos os Portugueses, Hélder Conduto e David Carvalho ao contrário da versão Xbox 360, onde mais uma vez os Portugueses foram esquecidos. Aqui se nota mais uma vez a força que existe em Portugal no que toca à consola da Sony.

O sistema online é um dos componentes mais fortes em Fifa 10. Não temos lag e as funções são muito variadas. Desde o “Head to Head Match”, onde defrontamos um adversário em sistema de rank ou não, temos o “Online Team Play”, que nos permite escolher uma posição em campo e defrontar uma equipa. Aqui podemos estar no mesmo jogo, vinte jogadores espalhados pelos quatro cantos do mundo. O mais rápido a escolher a posição, fica com ela, e por vezes ninguém quer ser o defesa direito ou o defesa esquerdo, tornando o número vinte, difícil de se manter. Mesmo assim, com vários jogadores em campo, a fluidez de jogo é incrível e a EA está mais uma vez de parabéns, pois este modo já estava presente no seu antecessor.
Ainda no sistema online, também está presente o “Friends League”, em que um jogador pode criar a sua própria liga e convidar os seus amigos a participar.

Em modo de conclusão, não posso afirmar que Fifa ganhou a corrida em relação a PES 2010 este ano, mas a situação complica-se para os lados da Konami, perante este cenário bastante favorável para os lados da EA Sports. Fifa está forte e veio para ficar. Os pontos positivos são largamente superiores aos negativos e no futebol exige-se sempre o mesmo objectivo, rapidez, objectividade e realismo. Fifa 10 tem tudo isto.


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Uma resposta

11 10 2009
ninguem

a xbox 360 e melhor nao sei porke n metem tugas a comentar

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