Antes de começar a escrever sobre o clássico disputado ontem no estádio da Luz entre o Benfica e o Futebol Clube do Porto, quer mais uma vez dizer aos mais distraídos visitantes deste blog, que sou uma pessoa nascida e vivida até à data na cidade invicta. Sou um Benfiquista residente no centro do Porto e é por isso que para mim, o maior rival de todos os tempos será sempre o FC Porto. Sei e reconheço que para os Alfacinhas o derby será sempre o Benfica-Sporting e vice-versa, mas para mim esse jogo nada me diz em comparação com um Benfica-Porto. O meu ódio é tanto pelo FC Porto que por vezes vejo-me a torcer por um adversário estrangeiro. Sei que é mau para o nosso país, mas o código de conduta seguido há vários anos pelo clube do norte faz com que esta minha raiva cresça dia após dia. Como também já afirmei anteriormente, joguei futebol durante 18 anos, inclusive, representei o FC Porto e conheço aquela casa, conheço todas as “manhas” dirigidas por dirigentes que se encostaram aquele clube desde sempre. As pessoas que não vivem no Norte, não tem a noção de como futebol é vivido e nem lhes passam pela cabeça o poder que o FC Porto tem no centro da cidade, arredores e vou mais longe, ao distrito do Porto. O poder é totalmente controlado por dois senhores e vai desde a imprensa local, clubes de alterne, discotecas, bares, restaurantes e até serviços públicos.
De facto e nos últimos 20 anos o FC Porto vem dominando por completo a liga Portuguesa e mais, conseguiu ganhar uma taça Uefa e uma Liga dos campeões e isso ninguém lhes tira. Também tiveram a sorte com a chegada de um colosso no que diz respeito à gestão de jogadores, falo em José Mourinho e com grande ajuda de Vilarinho que na altura o seu treinador era o Toni. Mas a memória é curta e o que sai na imprensa é só aquilo que interessa ao FC Porto. Não é preciso um árbitro roubar à descarada para ver que o Porto controla. É preciso estar atento aos detalhes como aquelas faltas a meio campo que faz parar o jogo. Os foras-de-jogo inexistentes e todo o ambiente criado fora do estádio. Claro que hoje em dia a liberdade de expressão está muito melhor e a imprensa está sempre em cima do acontecimento. O que se passou ontem no túnel do estádio da Luz não é novidade para mim. Certo é que no passado estes casos eram abafados e hoje em dia não, até para salvaguardar a pele do arbitro. Porque se o Lucílio não expulsasse o Hulk e o Sapunaru, o caldo iria ferver durante toda a semana. Lembram-se de um jogo em que o Benfica veio ganhar às Antas em que o César Brito marcou 2 golos? E o que se passou no túnel, alguém se lembra? E o que se passou antes e depois do jogo no exterior? Certo é que alguns têm uma vaga ideia, mas mais certo é que tudo foi abafado. Sabiam que cada jogador do Porto quando saem à noite e em qualquer lugar que vão têm vigia? Todos os passos efectuados pelos jogadores do clube do Norte estão sempre registados. Aqui vive-se numa cadeia em que tudo está interligado e no meio disto tudo existe um cabecilha, dono de quase todos os clubes de alterne da cidade do Porto, por isso é que os “chocolatinhos” existem mesmo. Só um cego é que não vê! E mais, sinal que até a justiça está na mesma jarra.
Teria tantos episódios para contar mas remeto-me ao silêncio, não vá fechar este blog obrigatoriamente devido a ameaças e insultos!
E por isso digo: EXPLODI DE ALEGRIA AO VER O GLORIOSO A GANHAR FRENTE AO FOCULPORCO. E ESPERO QUE O BENFICA SEJA CAMPEÃO PARA DE UMA VEZ POR TODAS MUDAR O RUMO AOS ACONTECIMENTOS FRENTE A UM MURO QUE TENDE EM NÃO CAIR, MAS SIM, UM DIA CAI NEM QUE SEJA À FORÇA!
Concluído esta minha apresentação e desculpem-me este desabafo (não me consegui conter), vou falar do jogo.
O Benfica partiu para este jogo desfalcado e com um jogo nas pernas efectuado na última quinta-feira. Ao contrário, o FC Porto preparou a semana toda sem ter efectuado qualquer jogo e com um plantel 100% à disposição.
Perante tal facto, Jesus surpreendeu tudo e todos com a inclusão de Urreta. O miúdo fez um excelente jogo, mas devido à falta de ritmo, deu o estouro aos 60 minutos da partida. Durante o tempo que esteve em campo desequilibrou e tirou vantagem de um opositor fortíssimo, o Fucile. Defendeu quando teve de defender na ajuda a César Peixito e fruto disso, só tenho é que lhe dar os meus sinceros parabéns. A ele e ao Jesus! Depois com a ausência de Aimar, peça fundamental no esquema de Jesus, Carlos Martins cumpriu nos objectivos impostos pelo seu treinador. Não fez o papel de Aimar, pois seria difícil, mas cumpriu em todo o seu esplendor no limite máximo das suas capacidades. Outro guerreiro foi claramente o brasileiro Ramires. Sei que não foi fácil a inclusão dele em campo, mas é preciso ter uma mentalidade e vontade de jogar muito forte. Com infiltrações pelo meio (voltaren+relmus injectável) ou algo mais forte, o brasileiro cumpriu com o seu dever, mas limitado sempre na disputa de bola e nos sprints que costuma efectuar. Mesmo assim, foi um guerreiro em campo e lutou até não poder mais. É este Benfica que eu gosto, é este Benfica que me enche as medidas. É a atitude, a raça, o querer, a força de vontade, o espírito de sacrifico e todos os jogadores a olharem para Ramires como exemplo, inspiram-se na sua fonte para conseguirem em conjunto vitórias como a de ontem.
Uma defesa sólida, em que Peixote é certamente o “elo mais fraco” e o “elo mais forte” é na minha opinião David Luiz. O sangue do central corre-lhe nas veias a “1000 à hora” e o sentido de concentração esteve sempre afinado. Nota-se os duelos com o Hulk em que o central esteve perfeito, tanto na marcação como na recuperação de bola.
Já na frente, a dupla inseparável Cardozo e Saviola fizeram um jogo excelente, isto tendo em conta que teriam pela frente adversários como Bruno Alves, Rolando e o experiente guarda-redes Hélton. Devido ao pressing alto de toda a equipa da Luz, o meio-campo do Porto recuou e consequentemente a defesa sofreu com isso. O futebol do Porto teria que ser mais directo e os defesas teriam que apostar nesse mesmo futebol. Com esse mesmo pressing, o sector mais avançado do Benfica beneficiou e o golo é sinónimo disso mesmo. Jesualdo esteve sempre o jogo todo a pedir aos seus jogadores para subirem no terreno e com essa pressão, se repararem, Saviola aparece nas costas permitindo inaugurar o marcador. De resto, notei que mesmo com o terreno numa lástima, o Benfica preocupou-se sempre em rolar a bola, mas tal não foi possível na perfeição e vi um FC Porto a praticar o “chutão” para a frente à espera que os avançados resolvessem. Tiveram azar!
Sobre os lances menos felizes do árbitro não quero comentar a fundo, ficando a faltar a marcação de um penálti para os dois lados. E no meio campo, houve faltas para correspondentes a outras cores da cartolina, mas isso já é o normal na nossa liga. Marcam-se faltas quando não são, quando existem não se marcam e a exibições dos cartões é de uma forma “quase” aleatória!
Problema foi quando o jogo acabou. Hulk e Sapunaru explusos no túnel. O primeiro foi substituído durante a partida e o outro nem “calçou”. Problemas com um segurança do Benfica e as vítimas são os jogadores. Se eu não tivesse tido os mesmos problemas, diria que estes dois jogadores do Porto são os verdadeiros “Querubins”.
Para terminar, estou contente, feliz por tudo o que senti e por tudo o que escrevi aqui. O Sentimento desta vitória pode não ser o mesmo para outros Benfiquistas, mas para mim soube-me e bem. Posso passar o Natal descansadinho a comer as minhas batatinhas e o bom bacalhau! Obrigado Benfica, jogadores, equipa técnica, sócios, adeptos, funcionários do clube e VIVA O BENFICA!










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